O que você deve saber antes de entrar em um IPO?

 

Se você é nosso leitor frequente, deve se recordar que já falamos sobre IPO aqui. Mas estamos voltando ao tema porque o calendário de IPOs está bastante agitado. Apenas neste mês de julho, já se tornaram empresas de capital aberto a Smart Fit, Multilase, Companhia Brasileira de Alumínio e Destop. E também estão na fila Laboratório Teuto Brasileiro, CSN Cimentos, Oba Hortifruti, Tok & Stok, Kalunga, Nadir Figueiredo, Raízen… a lista ainda se estende mais.

Para o investidor, essa pode ser a oportunidade de pagar mais barato por ações com potencial de valorização. Os juros baixos aumentam ainda mais a atratividade da renda variável. Mas antes de investir seu dinheiro em IPOs, é preciso cuidado.

“Antes de entrar em um IPO, você tem que entender aquela empresa. Muitos investidores se deixam levar pela euforia da estreia na Bolsa e acabam minimizando aspectos que são muito importantes”,

afirma Pedro Lang, head de renda variável da Valor Investimentos.

Mas que aspectos seriam esses? Trouxemos algumas perguntas fundamentais para serem feitas antes de entrar em um IPO.

1 - A ação está cara?

É possível que sim. Afinal, a expectativa de quem coloca algo à venda é sempre a de conseguir o maior preço possível. Na hora de conduzir o IPO, os bancos e butiques de M&A tendem a mostrar que aquela empresa vale.

Mas não é prudente, para a empresa, pesar de mais a mão no preço. Pois se ela enganar o mercado, ela fará isso apenas uma vez, porque perderá a confiança. O correto é olhar para o mercado como um parceiro e buscar uma relação de longo prazo.

2 - Qual o destino do dinheiro arrecadado?

Em uma oferta primária, é a empresa que vende e é para ela que vai o dinheiro. Já em uma oferta secundária, acionistas estão se desfazendo dos papéis para sair ou diminuir suas participações no negócio – por razões que também vale a pena investigar, especialmente quando quem está indo embora são sócios-fundadores. E o dinheiro da venda vai para essas pessoas.

Muitos investidores acham ruim entrar em um IPO em que grande parte dos recursos arrecadados vai para o acionista e não para a companhia. Eles preferem que o dinheiro seja investido na própria empresa, em seu crescimento.

3 - A empresa está madura para o IPO?

O investidor experiente vê com certa desconfiança empresas muito novas, que com poucos anos de vida já querem abrir capital. Companhias mais antigas, mesmo que não tenham ações negociadas, já têm um histórico, um passado que você possa reconstruir. Sem isso é difícil avaliar.

4 - Os demonstrativos financeiros são confiáveis?

Uma dificuldade inerente aos IPOs é a assimetria de informações entre a empresa e os interessados em investir nela. Os dados contábeis de uma empresa de capital fechado não seguem o mesmo padrão de transparência das empresas de capital aberto. Isso torna mais difícil fazer uma avaliação sólida e calcular o preço da empresa.

Os prospectos das ofertas iniciais nem sempre elucidam todas as informações que seriam necessárias para uma boa tomada de decisão. Muitos contêm apenas os balanços dos últimos três anos da empresa, uma amostra de pouca profundidade. E a empresa tem um milhão de formas de manipular esses dados para alterar o seu lucro e sair mais bonita na foto.

Não é que todas as empresas sejam mal-intencionadas. Mas algumas são mais transparentes e outras, menos dispostas a abrir sua vida pregressa para o mercado.

5 - Vou conseguir levar tudo o que eu quero?

Nem sempre. Se o IPO atrair um volume de captação muito superior ao esperado pela empresa, são grandes as chances de que você não consiga comprar a quantidade de ações que reservou. Isso porque as ações disponíveis serão divididas proporcionalmente entre todos os interessados, o chamado rateio.

6 - Devo entrar na oferta?

As motivações para decidir participar de uma oferta inicial de ações variam de um investidor para o outro. Quem entra pensando em fazer um trade de curto prazo (conhecido como flipagem) está mais preocupado em ver quantos outros investidores estão entrando, pois o efeito manada vai inflar o papel. Já quem pretende montar uma posição para carregar por muito tempo vai olhar os fundamentos da empresa.

O que mais chama a atenção em um IPO é a oportunidade de comprar uma empresa a preços que poderão subir após a capitalização, já que ela deverá usar os recursos para crescer.

E ainda que se faça uma avaliação embasada em projeções de fluxo de caixa ou análises de casas especializadas, não dá para cravar com segurança o que vai acontecer com a ação e, consequentemente, se o IPO vai ou não trazer a vantagem financeira esperada pelo investidor.

E compreender a dinâmica do mercado financeiro e todas as possibilidades que ele oferece é um passo importante para um planejamento financeiro de sucesso. Sempre recomendamos que você também busque uma assessoria especializada e nós da Strike Investimentos, estamos aqui para isso.

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Um abraço

Time Strike

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